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Dia Mundial da Alfabetização: Brasil avança, mas desigualdades ainda desafiam o direito de aprender

04/09/2026
Dia Mundial da Alfabetização

O Brasil avançou na alfabetização de crianças nos últimos três anos, mas os resultados nacionais ainda apresentam diferenças entre estados e municípios. Em 2025, 66% dos estudantes da rede pública estavam alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental, de acordo com dados do observatório da criança. O percentual representa um aumento de dez pontos percentuais em relação a 2023, quando o índice era de 56%, e sete pontos percentuais em relação a 2024, quando chegou a 59%.

O resultado de 2025 também superou em dois pontos percentuais a meta de 64% estabelecida para o ano pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). A política reúne União, estados, Distrito Federal e municípios em torno do objetivo de garantir que as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. Para 2030, a meta nacional é superar 80% dos estudantes alfabetizados.

Os avanços, porém, não ocorrem de forma igual em todo o país. Em 2025, o Ceará apresentou o maior percentual entre os estados, com 84% das crianças alfabetizadas. O Espírito Santo registrou 77%, o maior índice da região Sudeste, ao lado do Piauí, que também alcançou 77%. Os resultados mostram que o avanço nacional não ocorre de maneira uniforme e reforçam a importância de políticas e ações contínuas voltadas à alfabetização na idade certa.

Alfabetização é parte do direito à educação

Aprender a ler e escrever nos primeiros anos do Ensino Fundamental é uma etapa importante para a continuidade dos estudos. A leitura e a escrita estão presentes em diferentes áreas do conhecimento e são utilizadas pela criança para compreender textos, acompanhar conteúdos e participar das atividades escolares.

Acompanhar o desenvolvimento de cada criança e identificar suas necessidades durante o processo de aprendizagem são medidas que contribuem para orientar as práticas pedagógicas e fortalecer as condições para que os estudantes avancem em sua trajetória escolar.

O cenário da alfabetização infantil também se relaciona com desigualdades que permanecem entre gerações. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais desde o início da série histórica, em 2016: 4,9%. Ainda assim, 8,3 milhões de pessoas não sabiam ler e escrever.

As desigualdades regionais também permanecem presentes entre a população adulta. O Nordeste apresentou taxa de analfabetismo de 11,1% entre pessoas de 15 anos ou mais, enquanto o índice foi de 2,8% no Sudeste. Os números ajudam a dimensionar a importância de fortalecer a alfabetização desde os primeiros anos escolares, especialmente em contextos marcados por desigualdades educacionais.

Fundação Abrinq atua na formação de profissionais da educação

É nesse contexto que a Fundação Abrinq desenvolve, desde 2023, o Projeto Alfabetiza, em parceria com secretarias municipais de educação. A iniciativa atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental e busca qualificar práticas pedagógicas relacionadas à alfabetização, contribuindo para o desenvolvimento das crianças.

O projeto reúne professores, gestores e equipes pedagógicas das redes parceiras em encontros de formação, reflexão e troca de experiências sobre os processos de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. A iniciativa também oferece materiais pedagógicos e ferramentas de apoio ao trabalho desenvolvido nas escolas.

Em 2026, o Projeto Alfabetiza está presente em 63 escolas públicas, distribuídas entre três municípios:

  • 20 em Diadema - SP;
  • 31 em Guarulhos - SP;
  • 12 em Pedro Leopoldo - MG.

As ações alcançam mais de 10 mil crianças no ciclo de alfabetização. Como parte desse trabalho, a Fundação Abrinq doou, em 2026, 3.691 materiais pedagógicos para as escolas participantes do projeto. O conjunto é formado por:

  • 1.201 livros de literatura infantil e infantojuvenil;
  • 2.310 gibis;
  • 180 jogos pedagógicos.

Os materiais passam a integrar os acervos das escolas e apoiam as atividades realizadas em sala de aula durante o ciclo de alfabetização. Pedro Leopoldo - MG passou a integrar o Projeto Alfabetiza neste ano, ampliando a atuação para um terceiro município. Em Guarulhos - SP e Diadema - SP, foram mantidos os encontros de formação continuada com professores e equipes pedagógicas. O trabalho desenvolvido nas escolas permite acompanhar as práticas de ensino e apoiar os profissionais no planejamento das ações voltadas à alfabetização.

Para Cassia Moraes Targa Longo, líder da área de Educação da Fundação Abrinq, garantir o acesso à escola é apenas uma parte do direito à educação.

“Esta data precisa ser lembrada durante todo o ano: não basta garantir que a criança esteja na escola; é preciso garantir que ela esteja aprendendo. Cada criança alfabetizada representa uma possibilidade ampliada de participação, autonomia e continuidade dos estudos.”

A atuação junto às redes municipais busca fortalecer a capacidade das escolas de acompanhar o processo de aprendizagem, qualificar as práticas dos profissionais e criar condições para que as crianças avancem na alfabetização.

Para Felipe Sartori Sigollo, secretário de Educação de Diadema, o trabalho conjunto é parte do esforço para garantir a alfabetização na idade certa.

“Mais importante e também a grande conquista do país é o esforço coletivo para garantir a alfabetização na idade certa, aos 7 anos de idade. É o compromisso nacional da criança alfabetizada e o que a gente deve perseguir todos os dias.”

A fala de Sigollo reforça uma das diretrizes do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, acompanhar a aprendizagem para que as crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. O Inep estabelece esse momento como referência nacional para o acompanhamento da alfabetização.

60 anos do Dia Mundial da Alfabetização

O Dia Mundial da Alfabetização é celebrado em 8 de setembro. A data foi proclamada pela Unesco em 1966, durante a 14ª sessão da Conferência Geral da organização, e passou a ser celebrada anualmente em 8 de setembro a partir de 1967. Em 2026, a data chega ao seu 60º aniversário, com o tema “Alfabetização para as pessoas, o planeta e a prosperidade”.

A data coloca em pauta a importância da alfabetização como um direito e os desafios para garantir que crianças, jovens e adultos tenham acesso à leitura e à escrita. No Brasil, os resultados mais recentes mostram avanços na alfabetização infantil, mas também diferenças que reforçam a necessidade de continuidade das políticas e iniciativas voltadas à aprendizagem. Para a Fundação Abrinq, assegurar esse direito envolve fortalecer práticas e iniciativas que contribuam para que crianças tenham acesso à educação e condições para avançar em sua aprendizagem.

A continuidade de projetos como o Alfabetiza depende da atuação conjunta entre poder público, organizações, empresas e sociedade. Pessoas e empresas podem contribuir para que a Fundação Abrinq mantenha suas iniciativas e amplie sua atuação em defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Conheça o Projeto Alfabetiza e saiba como se tornar um doador e apoiar o trabalho da Fundação Abrinq.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

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