Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, a Fundação Abrinq ampliou as ações do Programa 1000 Dias junto às gestantes e profissionais da rede pública de saúde de Juquitiba - SP e Registro – SP. As atividades realizadas durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno e o mês do agosto levaram informação às mulheres, apoiaram a atuação das equipes de saúde e criaram espaços para que gestantes e famílias pudessem conversar sobre gestação, parto, amamentação e os primeiros cuidados com o bebê.
Em Juquitiba - SP, 48 gestantes participaram das atividades realizadas nas sete unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF) envolvidas na iniciativa: Barnabés, Centro, Conceição, Jardim das Palmeiras, Palmeiras, Padeiros e Justino. Ao todo, foram entregues 39 kits de maternidade no município.
Nas unidades, o trabalho ganhou espaço na rotina de acompanhamento das gestantes. A proposta não se restringe à transmissão de informações, mas busca criar um ambiente em que as mulheres possam apresentar dúvidas, falar sobre suas experiências e encontrar profissionais preparados para escutá-las e orientá-las. Para as equipes, compreender melhor o momento vivido por cada gestante também muda a forma de prestar o atendimento.
Na ESF Jardim das Palmeiras, Maria Carolina Tavares Vasquer de Pereira, mãe de primeira viagem, participou do grupo de gestantes durante a gravidez e continuou frequentando a unidade depois do nascimento da filha, Maria da Glória. Ela conta que chegou ao serviço com dúvidas sobre diferentes aspectos da gestação e encontrou no grupo um espaço para conversar e aprender. “Eu era muito leiga em diversos assuntos, tanto no processo da gestação como no pós. Tem coisas que a gente só aprende quando alguém explica ou conta algum caso”, relata.
Maria Carolina teve diabetes gestacional e recebeu orientações sobre alimentação, cuidados durante a gestação, plano de parto e movimentos que poderiam ajudá-la durante o trabalho de parto. Mesmo tendo passado por uma cesárea após 21 horas de trabalho de parto, ela considera que o conhecimento adquirido nos encontros fez diferença durante o processo. “Teve um antes e um depois”, afirma.
Para ela, a presença da Fundação Abrinq junto à unidade também ampliou o acesso à informação. Maria Carolina conta que, antes de conhecer o Programa 1000 Dias, não sabia que os primeiros mil dias compreendiam o período desde a gestação até os dois anos da criança. A partir dos encontros, passou a compreender que o cuidado envolve tanto a criança quanto a mãe e começa antes do nascimento. “É tudo um processo de acompanhamento tanto da mãe quanto da criança”, explica.

A percepção da gestante também evidencia uma mudança na relação com a unidade de saúde. O conhecimento adquirido durante os encontros passou a funcionar como uma referência para buscar orientação. Mesmo depois do nascimento da filha, Maria Carolina voltou à unidade para tirar dúvidas sobre a amamentação. “Você sabe que a unidade de saúde tendo esse programa e esse acesso é uma tranquilidade. Você sabe que tem com quem contar”, afirma.
Escuta e acolhimento fazem parte do atendimento
A experiência relatada por Maria Carolina se relaciona com uma mudança percebida também pelos profissionais. Janaína de Camargo Aparecido, agente comunitária de saúde da ESF Justino e embaixadora do Programa 1000 Dias, conta que a formação proporcionada pela Fundação Abrinq contribuiu para ampliar seu olhar sobre as gestantes.
Antes, segundo ela, o contato estava mais concentrado em questões como vacinação e consultas. Com a formação, a equipe passou a considerar outras necessidades e a abrir espaço para que as mulheres apresentassem dúvidas e falassem sobre o período gestacional e o pós-parto.
“Meu olhar mudou. A gente se capacitou melhor e agora temos um outro olhar mais sensível para com as gestantes”, afirma.
Essa mudança também aparece na relação construída nos grupos de gestantes. Segundo Janaína, mulheres que chegam mais retraídas aos primeiros encontros passam, com o tempo, a conversar, compartilhar experiências e manter contato entre si. A unidade deixa de ser apenas o local das consultas e passa a ser também um espaço de conversa e orientação.
O acolhimento é parte desse processo, ao conhecer melhor as gestantes, os profissionais conseguem identificar dúvidas e necessidades que nem sempre aparecem em uma consulta convencional. Os encontros permitem abordar temas como amamentação, parto e vacinação e, quando necessário, orientar individualmente cada mulher.
Na ESF Padeiros, o médico Dr. Rafael Bucci Martins também percebeu a contribuição da formação para o trabalho integrado da equipe. Para ele, médicos, enfermeiros e agentes comunitários passaram a contar com informações alinhadas para acompanhar as gestantes. “Todo mundo tá falando a mesma língua e atualizada. Eu acho que isso foi essencial”, afirma.
A atuação das agentes comunitárias tem um papel importante nesse acompanhamento porque elas estão próximas das famílias e conhecem parte da realidade vivida no território. Com a formação, podem levar os conteúdos trabalhados no Programa 1000 Dias para os encontros e também identificar situações em que a gestante precisa de orientação ou encaminhamento.
Rede de apoio começa antes do nascimento
A experiência de Caliane e Igor Souza, da ESF Justino, mostra outra dimensão trabalhada pelo Programa 1000 Dias como a participação da família no cuidado. Pais de primeira viagem, os dois participaram dos encontros e passaram a compreender que a rede de apoio também envolve o pai.
Caliane conta que, no período pós-parto, a presença de alguém para ajudar nas tarefas e conversar pode aliviar a sobrecarga física e emocional. “A mente não fica sobrecarregada. No começo, a cabeça fica a milhão. É muito sentimento, muito pensamento. Então, se tem alguém ali para te ajudar, para apoiar, para conversar, já é tudo”, relata.

Igor incorporou parte dos cuidados à rotina da família, enquanto Caliane amamenta, ele fica responsável por fazer a bebê arrotar, além de ajudar nas tarefas da casa, na alimentação e nos cuidados com a filha. “É para ajudar também nos afazeres da casa e fazer comida. Ajudar com a neném, trocar fralda, fazer dormir”, explica Igor.
A participação do pai também envolve informação, durante os encontros, Igor teve contato com orientações que não conhecia e passou a compreender melhor situações relacionadas à gestação, ao nascimento e à amamentação. Para ele, estar informado ajuda a oferecer suporte à companheira.
A própria Caliane destaca o papel das embaixadoras do Programa 1000 Dias nesse processo. Ela percebeu que as profissionais atuam na transmissão das informações e no acolhimento das gestantes e famílias, criando uma referência para quando surge uma dúvida.
A rede de apoio, portanto, não se limita a quem está dentro de casa, ela envolve familiares, profissionais de saúde e pessoas que podem orientar a mulher durante a gestação e depois do nascimento. O pai também pode participar desse cuidado, inclusive nos momentos em que a mãe precisa de apoio para manter a amamentação.
Informação para enfrentar dúvidas e mitos sobre a amamentação
Durante o Agosto Dourado, as conversas nas unidades também abordaram dúvidas e informações que fazem parte do cotidiano das gestantes e mães. Caliane conta que os encontros ajudaram a esclarecer questões relacionadas ao aleitamento materno, à alimentação e a práticas que fazem parte de crenças transmitidas entre gerações. O contato com profissionais permitiu diferenciar informações baseadas em orientação de saúde de crenças que continuam sendo transmitidas dentro das famílias.

A farmacêutica e consultora em amamentação Luciana Brito também chamou atenção para a necessidade de evitar que o Agosto Dourado se transforme em um período de cobrança para as mães. A campanha deve ampliar a conversa sobre as condições necessárias para que a mulher seja apoiada durante a amamentação.
Essa perspectiva está presente na campanha Cada Gota Importa, da Fundação Abrinq, que reforça que amamentar não é uma responsabilidade de uma pessoa só. A mulher precisa de informação, acolhimento e apoio para lidar com as dificuldades que podem aparecer durante o processo.
Caliane viveu uma dessas dificuldades nos primeiros dias após o nascimento da filha. A bebê apresentava dificuldade para pegar o peito e dormia muito. No hospital, recebeu orientação do banco de leite sobre como estimular a filha a mamar e conseguiu estabelecer a amamentação nos primeiros dias.
A experiência também mostrou ao casal que o processo exige aprendizado. Igor passou a acompanhar as orientações sobre massagem para evitar o empedramento das mamas e percebeu que também precisava conhecer o processo para conseguir ajudar.
Para Maria Carolina, a amamentação também trouxe desafios, ela reconhece que pode haver dor e dificuldade no início, mas considera que a informação recebida ajudou a compreender o que estava acontecendo. “Então, vale a pena o esforço porque dói, é difícil, mas é gratificante e passa”, afirma.
Ações do Agosto Dourado em Juquitiba e Registro
As ações realizadas em Juquitiba - SP fazem parte de uma atuação que também chegou a Registro - SP, ampliando o trabalho do Programa 1000 Dias junto à rede pública de saúde do Vale do Ribeira.
Nos municípios, a estratégia parte da aproximação com os profissionais que acompanham as gestantes e suas famílias. A formação permite que os conteúdos permaneçam no território e sejam retomados pelas equipes de acordo com as dúvidas e necessidades identificadas durante os atendimentos e encontros.

Em Juquitiba - SP, os 39 kits de maternidade entregues durante as ações também integram esse trabalho. Os materiais são acompanhados por orientações e fazem parte de uma proposta que busca aproximar as gestantes da rede de cuidados durante a gestação e após o nascimento. O Diário da Gestante é outro recurso utilizado pelo programa, o material acompanha a mulher durante a gravidez e permite registrar informações e momentos relacionados à gestação, ao parto e à chegada do bebê.
O resultado do trabalho aparece tanto nos números quanto nas experiências compartilhadas pelas famílias e profissionais. As 48 gestantes participantes em Juquitiba - SP e as 78 de em Registro - SP representam mulheres que tiveram acesso aos encontros, mas também mostram como uma ação voltada à primeira infância pode fortalecer o vínculo entre famílias e serviços públicos. Para Maria Carolina, essa aproximação foi determinante para que se sentisse segura ao buscar orientação.
“Você pode buscar uma ajuda, uma informação. Isso faz parte de todo o acolhimento”, afirma.
Ao trabalhar com gestantes, famílias e profissionais de saúde, a Fundação Abrinq por meio do Programa 1000 Dias amplia o olhar sobre o cuidado na primeira infância. A gestação passa a ser acompanhada considerando também as dúvidas, os sentimentos, a rotina e a rede de apoio de cada mulher. Depois do nascimento, a atenção continua com orientações sobre amamentação, desenvolvimento e cuidados com o bebê.

O Agosto Dourado amplia essa conversa ao colocar o aleitamento materno no centro do debate, mas a agenda ultrapassa o mês de agosto. As ações realizadas nas unidades de saúde mostram que proteger a amamentação depende de uma rede preparada para orientar a mulher, acolher suas dúvidas e reconhecer que cada experiência de gestação e amamentação é diferente.
É nesse contato próximo que a atuação do Programa 1000 Dias ganha sentido e contribui para fortalecer essa rede a partir de quem está mais próximo das famílias. Os encontros, as formações, os materiais e os kits fazem parte de uma estratégia que busca deixar conhecimento no território e ampliar as condições para que gestantes, mães e bebês encontrem orientação ao longo dessa primeira etapa da vida.
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