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Conheça os coletivos de Minas Gerais que integram o novo ciclo do Projeto Coletivos Periféricos

10/04/2026
Conheça os coletivos de Minas Gerais que integram o novo ciclo do Projeto Coletivos Periféricos

O novo ciclo do Projeto Coletivos Periféricos apresenta um recorte diverso de iniciativas que atuam nas periferias brasileiras. Entre os 17 coletivos escolhidos, seis estão na Região Metropolitana de Belo Horizonte e desenvolvem ações contínuas com crianças e adolescentes em seus territórios.

O processo seletivo, que ocorreu ao longo do segundo semestre de 2025, reuniu cerca de 600 inscrições e incluiu etapas de análise e entrevistas com os grupos finalistas. Ao todo, 60 coletivos chegaram à fase final. A escolha considerou aspectos como a trajetória das iniciativas, o vínculo com as comunidades e a consistência das atividades realizadas no cotidiano.

Ao longo do ciclo, os coletivos selecionados terão apoio técnico, acompanhamento e repasse financeiro mensal, além de encontros formativos e trocas com outros grupos de diferentes regiões do país.

Na Grande Belo Horizonte, as iniciativas atuam em áreas como cultura, educação, comunicação comunitária e mobilização social, com propostas construídas a partir das demandas locais e das experiências dos próprios territórios.

Conheça os coletivos da região:

Guerreiros do Abaeté

Abaeté

Com atuação em Ribeirão das Neves, o Guerreiros do Abaeté mantém uma rotina contínua de atividades de capoeira voltadas a crianças e adolescentes, reunindo cerca de 250 participantes ao longo do mês. As aulas acontecem quatro vezes por semana e vão além do ensino da prática corporal, incorporando elementos ligados à convivência, disciplina, consciência corporal e construção de autoestima. A capoeira é trabalhada também como expressão da cultura afro-brasileira, conectando os participantes a referências históricas e culturais que nem sempre estão presentes em outros espaços de formação.

Ao longo dos anos, o coletivo ampliou suas atividades e passou a incluir turmas de dança afro-brasileira, criando novas possibilidades de participação e aprofundando o contato com diferentes linguagens culturais. As atividades acontecem em espaços públicos, sem sede própria, o que impõe desafios constantes, especialmente em períodos de chuva ou frio. Ainda assim, o grupo mantém a regularidade dos encontros e estabelece vínculos duradouros com os participantes.

A atuação ocorre em um território marcado por desigualdades e pela ausência de equipamentos culturais acessíveis. Nesse contexto, as atividades acabam ocupando um papel importante no cotidiano de crianças e adolescentes, que encontram no coletivo um espaço de convivência, prática cultural e continuidade ao longo do tempo.

Mulheres de Rocha

Mulheres da Rocha

Na Comunidade Quilombola de Mangueiras, em Belo Horizonte, o coletivo Mulheres de Rocha desenvolve um trabalho centrado na preservação da memória, da cultura e dos modos de vida do território. As ações incluem formações, vivências, oficinas de máscaras africanas, rodas de tambores e visitas guiadas, que apresentam a história do quilombo, suas origens e os saberes mantidos pelas famílias que vivem na região desde o século XIX.

O trabalho é conduzido por mulheres da própria comunidade e se organiza a partir de práticas cotidianas e conhecimentos transmitidos entre gerações. As atividades acontecem de forma contínua e dialogam com crianças, adolescentes e também com visitantes que chegam ao território. A proposta parte da experiência direta com o espaço, valorizando a oralidade, a convivência e o contato com elementos naturais e culturais presentes na comunidade.

Atualmente, cerca de 32 famílias vivem na área de Mangueiras, mantendo práticas que atravessam o tempo e estruturam a vida coletiva. Nesse contexto, o coletivo atua não apenas como espaço de formação, mas também como guardião de memórias e articulador de experiências que conectam passado e presente.

“Falar de Fundação Abrinq é falar de um sonho, de uma parceria que pode nos levar a locais fantásticos. A Fundação chegou para ser nossa parceira em levar o conhecimento e a formação ancestral, que é o que sempre pregamos dentro da nossa comunidade. É muito importante encontrar um parceiro que nos trate com respeito, independente de nossas escolhas, levando em consideração uma formação excelente para as nossas crianças”.

Tatiane de Oliveira, representante do coletivo Mulheres de Rocha

Grupo MA Cia de Dança

cia de dança

No bairro de Pedreira Prado Lopes, o Grupo MA Cia de Dança desenvolve um projeto de formação artística voltado a moradores entre 7 e 30 anos. As atividades acontecem três vezes por semana e incluem aulas de dança urbana e ballet, combinando prática e conteúdo teórico sobre expressão corporal, criação artística e produção cultural. Ao longo do percurso, os participantes têm contato com diferentes estilos e constroem processos criativos coletivos.

Além das aulas, o projeto promove vivências artísticas no território e encontros de conversa que abordam temas relacionados à identidade, pertencimento e cotidiano da comunidade. Esses momentos ampliam o espaço de troca entre os participantes e conectam a formação artística às experiências vividas fora da sala de aula.

Ao final de cada ciclo, os participantes apresentam os resultados do processo em atividades abertas, culminando em um espetáculo construído coletivamente. A iniciativa também envolve a contratação de moradores da própria Pedreira Prado Lopes em funções como produção, comunicação e apoio, conectando as atividades culturais à geração de renda e à circulação de trabalho dentro do território.

“Quero agradecer a Fundação Abrinq que chegou aqui para ajudar a gente. A dança mudou muita coisa na minha vida. Eu parei de morar na rua para vir para a dança. Minha prima sempre falava para eu sair dessa vida e ir dançar com ela. E em um dia de dança já mudou muita coisa. Hoje eu moro com a minha mãe e é isso. Bora entrar para a dança!”.

Mario*, adolescente atendido pelo Grupo MA Cia de Dança
*Nome fictício para preservar a identidade do adolescente.

Instituto 100% Morro

morro

O Instituto 100% Morro reúne diferentes frentes de atuação que se articulam ao longo do ano, envolvendo educação, cultura, esporte, meio ambiente e mobilização social. Entre as ações desenvolvidas estão rodas de leitura, oficinas culturais, saraus, eventos comunitários e atividades esportivas, além da Biblioteca Itinerante Edlaine Pinheiro, que circula com livros e materiais de leitura.

As iniciativas também incluem campanhas de doação, bazares e apoio a famílias em situações emergenciais, além de atividades voltadas à convivência comunitária, como ruas de lazer e torneios. Na área ambiental, o instituto desenvolve hortas comunitárias e ações de educação ambiental, envolvendo principalmente crianças e adolescentes em práticas ligadas ao cuidado com o território.

Outro eixo importante é a comunicação comunitária, com produção de conteúdos que abordam o cotidiano local e contribuem para ampliar o acesso à informação. As atividades são organizadas de forma integrada e envolvem diferentes públicos, criando uma rede de ações que se distribui pelo território ao longo do tempo.

“A nossa expectativa é a melhor pessoa. Só de pensar no tanto que vamos aprender e adquirir conhecimento com esse conveniamento, torna-se algo fantástico para nós. Estou muito ansiosa para conhecer os outros coletivos contemplados e criar uma conexão com eles. Minha expectativa é a melhor possível e eu só posso agradecer a oportunidade de ter a Fundação Abrinq como parceira”.

Elaine Pinheiro, presidente do Instituto 100% Morro

Hip-Hop Cypher Pipoca e Combate

cypher

O coletivo Hip-Hop Cypher Pipoca e Combate organiza batalhas de breaking, oficinas e intervenções culturais em Belo Horizonte e região metropolitana, reunindo crianças, adolescentes e jovens em atividades abertas e gratuitas. A programação inclui competições em diferentes categorias, práticas formativas e vivências que integram os elementos da cultura hip-hop.

As ações também incluem rodas de conversa e encontros que abordam temas como convivência, direitos, uso do espaço público e questões que atravessam o cotidiano das juventudes periféricas. Ao ocupar ruas e praças com atividades culturais, o coletivo transforma esses espaços em pontos de encontro e circulação de pessoas, ampliando as possibilidades de uso do território.

Além da dimensão formativa, as atividades envolvem artistas da cena local, como dançarinos, DJs e produtores culturais, que participam da organização e execução dos eventos. Isso contribui para a circulação de trabalho e para a continuidade das práticas culturais dentro do próprio campo do hip-hop.

“Para nós, a parceria com a Fundação Abrinq é muito importante e vai fomentar muito mais ainda o trabalho que já fazemos, dando uma visibilidade maior. Nosso objetivo é que nossos projetos, nossas falas e o combate à violência contra crianças e adolescentes se disseminem para todos os espaços, alcancem várias pessoas e que elas venham somar com a gente nessa luta em defesa das nossas crianças e adolescentes”.

Elizane Santos, representante do coletivo Hip-Hop Cypher Pipoca e Combate

Rabiola Instituto Cultural de Arte e Educação

rabiola

Sediado no bairro Jardim Felicidade, o Rabiola Instituto Cultural de Arte e Educação desenvolve projetos que articulam arte, educação e comunicação em comunidades periféricas de Belo Horizonte. As atividades incluem vivências culturais, formações, ações educativas e produção de conteúdo, envolvendo crianças, adolescentes, famílias e outros públicos ao longo do ano.

O coletivo atua em rede com artistas, educadores e coletivos, promovendo iniciativas que dialogam com a cultura da infância, o patrimônio imaterial e a comunicação popular. As ações valorizam práticas como o brincar, a oralidade e as expressões culturais presentes nos territórios, criando espaços de encontro e aprendizagem.

Além disso, o coletivo desenvolve projetos de comunicação voltados às periferias e iniciativas que utilizam tecnologias acessíveis como ferramenta de expressão e produção. Ao longo do tempo, as atividades também contribuem para a geração de trabalho e renda entre profissionais da cultura, com ações realizadas de forma descentralizada em diferentes territórios.

“Nossa região é muito bacana e tem um histórico de luta popular por moradia e pela preservação das nascentes. Esperamos, com esse conveniamento, potencializar nossa atuação e seguir em frente na nossa caminhada. É uma satisfação, uma alegria e uma honra essa parceria”.

Ramayan Sol, cofundador do Rabiola Instituto Cultural de Arte e Educação

Para saber mais sobre as atividades dos coletivos que integram o novo ciclo do Projeto Coletivos Periféricos, acompanhe o site e as redes sociais da Fundação Abrinq.

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