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Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: da alimentação à escola, os efeitos da pobreza na infância

16/10/2026
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza: da alimentação à escola, os efeitos da pobreza na infância

Em 17 de outubro de 1987, 100 mil pessoas se reuniram na praça do Trocadéro, em Paris, na França, para homenagear as vítimas da fome, da violência e da ignorância e protestar contra a extrema pobreza. O chamado partiu do padre Joseph Wresinski, que nasceu em uma família em extrema pobreza e dedicou a vida a trabalhar ao lado de quem vivia nessa condição. Em 1992, a ONU transformou a data no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Quase quatro décadas depois, o Brasil chega a 17 de outubro com uma pergunta que cabe em qualquer sala de aula: quantas das crianças no território brasileiro vivem em casas onde a renda não chega a meio salário mínimo por pessoa?

Quantas crianças vivem com até meio salário mínimo por pessoa?

São 16.509.299 crianças e adolescentes de até 14 anos, ou 39,8% dessa população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, disponíveis no Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq. Quase 4 em cada 10.

Dentro desse grupo, 6.008.023 (14,5%) vivem com até um quarto de salário mínimo por pessoa. Os outros 10,5 milhões estão na faixa entre um quarto e meio salário mínimo.

A conta é simples: soma-se tudo o que a família recebe e divide-se pelo número de moradores. Numa casa com quatro pessoas, a renda total é dividida por quatro.

O que a pobreza muda na vida de uma criança?

No prato

Ainda de acordo com o IBGE, em 2024, 3,3% das crianças de 0 a 4 anos e 3,8% das de 5 a 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave. Entre pessoas com 65 anos ou mais, o índice era de 2,3%. Nessa condição, a comida diminui em quantidade e qualidade, inclusive para quem tem menos de 18 anos. 

A renda pesa nessa conta. No mesmo ano, dois em cada três lares (66,1%) com renda per capita de até um salário mínimo estavam em algum grau de insegurança alimentar. O cenário melhorou em relação ao ano anterior, com a proporção de lares em insegurança alimentar grave caindo de 4,1% para 3,2% entre 2023 e 2024. Ainda assim, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social estima que 1,8 milhão de crianças e adolescentes seguiam em domicílios com insegurança alimentar grave em 2024.

Na primeira infância

O Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade Harvard chama de estresse tóxico a ativação intensa e prolongada do sistema de resposta ao estresse do corpo, sem a proteção de adultos de apoio. A pobreza extrema, a negligência, o abuso e a depressão materna grave estão entre as causas listadas pelo centro. Quando isso acontece nos primeiros anos, a arquitetura do cérebro em formação pode ser enfraquecida, com consequências de longo prazo para a aprendizagem, o comportamento e a saúde física e mental. 

Nem toda criança que vive na pobreza passa por isso. A pesquisa mostra que a presença de adultos que acolhem e protegem funciona como uma “barreira”, e é por essa porta que entram a família apoiada, a creche, o posto de saúde e as organizações que atendem crianças no território.

Quem pode mudar esse cenário?

Quase tudo de que uma criança precisa no dia a dia vem de serviços locais: creche, escola, posto de saúde, assistência social. Em grande parte, eles ficam sob responsabilidade das prefeituras e dependem do que está no orçamento da cidade.

É nesse ponto que a Fundação Abrinq atua. Por meio do Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança, a organização acompanha os municípios no compromisso de colocar a infância no orçamento e nas decisões. Por isso, no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, vale levar uma pergunta ao seu prefeito, ao seu vereador e a quem pede o seu voto: quanto do orçamento da cidade vai para crianças e adolescentes? 

E vale também apoiar quem faz esse trabalho todos os dias. Considere fazer uma doação e ajude a transformar vidas de quem mais precisa. Clique aqui.

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