Nascer antes do tempo previsto muda o início da vida de um bebê e a rotina de toda a família. Para muitas crianças, os primeiros dias são marcados pela permanência em unidades de terapia intensiva neonatal, por procedimentos médicos e por cuidados especializados que precisam continuar mesmo depois da alta hospitalar. É nesse contexto que o Novembro Roxo, campanha de conscientização sobre a prematuridade, mobiliza a sociedade ao longo do mês, com destaque para o Dia Mundial da Prematuridade, celebrado internacionalmente em 15 de novembro e, no Brasil, em 17 de novembro, como Dia Nacional da Prematuridade.
A prematuridade é caracterizada pelo nascimento antes de 37 semanas completas de gestação e está entre as principais causas de mortalidade neonatal no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nascimento prematuro representa um desafio para a saúde pública em diferentes países, devido aos riscos à sobrevivência e ao desenvolvimento dos bebês. O cenário envolve assistência à saúde, condições de vida, acesso aos serviços públicos e garantia de direitos desde os primeiros momentos da infância.
Em 2026, a campanha chama a atenção para uma etapa que muitas vezes recebe menos visibilidade: o acompanhamento dos bebês depois da alta hospitalar. Com o tema “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”, a mobilização destaca que a saída da unidade neonatal representa o início de uma nova fase de cuidados, que exige atenção às necessidades específicas de cada criança.
Bebês que nascem prematuramente podem precisar de acompanhamento individualizado para monitorar o crescimento, a alimentação, a respiração, a visão, a audição e o desenvolvimento neurológico. As necessidades variam de acordo com as condições de nascimento e a trajetória de cada criança, o que exige continuidade no atendimento, acesso a profissionais especializados e orientação às famílias. A identificação precoce de possíveis alterações também permite encaminhamentos e intervenções adequados a cada situação.
Para mães, pais e responsáveis, esse período pode trazer dúvidas sobre a alimentação, os cuidados cotidianos e os sinais que merecem atenção. Por isso, a rede de atendimento precisa estar preparada para acolher as famílias, esclarecer dúvidas e orientar os próximos passos, garantindo que o acompanhamento não seja interrompido depois da internação.
Prematuridade: prevenção e cuidado começam antes do nascimento
Embora nem todos os partos prematuros possam ser evitados, o acompanhamento adequado durante a gestação contribui para identificar fatores de risco, diagnosticar precocemente possíveis complicações e orientar os cuidados com a saúde materna e fetal. O pré-natal regular, a realização dos exames recomendados e o tratamento de condições como hipertensão, diabetes gestacional e infecções fazem parte desse processo.
O acesso a esses cuidados, entretanto, não depende exclusivamente das escolhas individuais das gestantes. Condições socioeconômicas, dificuldades de acesso aos serviços de saúde, insegurança alimentar e situações de vulnerabilidade também podem interferir na saúde materna e no desenvolvimento da gestação. Por isso, a prevenção da prematuridade precisa ser acompanhada de políticas públicas que assegurem atendimento adequado, informação e assistência às mulheres durante toda a gravidez.
Essa atenção está diretamente relacionada aos primeiros mil dias de vida, período que começa na concepção e se estende até os dois anos de idade da criança. Nessa etapa, acontecem processos decisivos para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional, e as condições de cuidado, alimentação e saúde podem repercutir ao longo de toda a vida.
Fundação Abrinq atua na promoção da saúde materno-infantil
A atenção à saúde materno-infantil faz parte da atuação da Fundação Abrinq por meio do Programa 1000 Dias, que tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento integral das crianças desde a gestação até os dois anos de idade. A iniciativa organiza suas ações em duas frentes, considerando as necessidades das gestantes, das mulheres no pós-parto e das crianças em diferentes etapas dos primeiros anos de vida.
A primeira frente contempla o período da gestação, o nascimento e o primeiro ano de vida. Entre as ações previstas estão o aprimoramento dos conhecimentos dos profissionais da rede pública sobre a saúde das gestantes, das puérperas e o desenvolvimento infantil, além do estímulo à realização de oficinas orientativas para gestantes e mulheres no pós-parto nas unidades de saúde. O programa também prevê a formação de grupos de trabalho com gestores das áreas de Saúde, Educação e Assistência Social para o desenvolvimento de ações integradas nos municípios participantes.
A segunda frente abrange o período entre o primeiro e o segundo ano de vida e atua junto às creches participantes do programa. As atividades incluem o aprimoramento dos conhecimentos dos profissionais da Educação sobre desenvolvimento infantil, o incentivo a práticas de educação alimentar e nutricional e a avaliação antropométrica e do desenvolvimento das crianças matriculadas nas unidades. Essas avaliações permitem identificar possíveis desvios nutricionais e acompanhar aspectos do desenvolvimento infantil.
Em 2026, até o momento, o Programa 1000 Dias manteve ações de orientação e acompanhamento de gestantes nos municípios atendidos pela Fundação Abrinq. Entre as iniciativas realizadas neste ano, 126 gestantes participaram de atividades em Juquitiba - SP e Registro - SP. Em Juquitiba - SP, 48 mulheres foram atendidas em sete unidades da Estratégia Saúde da Família (ESF), onde também foram entregues 39 kits de maternidade. Em Registro - SP, outras 78 gestantes participaram dos encontros. As atividades envolveram profissionais da rede pública de saúde e abordaram temas como gestação, parto, aleitamento materno e cuidados com o bebê. Ao atuar nessas diferentes etapas, a Fundação Abrinq contribui para ampliar o acesso à informação, qualificar o atendimento e aprimorar as práticas de acompanhamento da saúde e do desenvolvimento infantil.
As ações do Programa 1000 Dias abrangem desde o acompanhamento pré-natal e os cuidados após o nascimento até a alimentação, a avaliação do crescimento e o desenvolvimento das crianças nos primeiros anos de vida.
Cuidar da infância exige continuidade
O nascimento prematuro pode trazer desafios que acompanham a criança por diferentes períodos do desenvolvimento, mas a trajetória de cada bebê é única. A qualidade da assistência, a identificação precoce de necessidades e o acesso aos serviços de saúde são fatores que ajudam a oferecer melhores condições para o crescimento e o desenvolvimento infantil. Nesse contexto, a proteção da primeira infância exige políticas públicas capazes de garantir prevenção, atendimento e acompanhamento, além de famílias amparadas por uma rede de serviços que ofereça informação e orientação. Também exige que as condições de nascimento não limitem as oportunidades que uma criança terá ao longo da vida.
O Novembro Roxo amplia o debate sobre a prematuridade e lembra que o cuidado com a criança começa antes do nascimento e precisa continuar em cada etapa da infância. Para que mais crianças tenham acesso à saúde, à proteção e a condições adequadas para se desenvolver, a participação da sociedade também faz diferença.
Ao se tornar doador da Fundação Abrinq, você ajuda a manter e ampliar iniciativas que promovem os direitos de crianças e adolescentes em todo o Brasil. Sua contribuição apoia programas como o 1000 Dias, que trabalha para que gestantes, famílias e crianças tenham acesso à informação, orientação e melhores condições de cuidado desde o início da vida. Faça parte dessa rede de proteção. Doe e ajude a construir oportunidades para que cada criança possa crescer e se desenvolver.