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Crianças que vivem na pobreza: qual é a situação no Brasil?

16/03/2026
Criança pobreza

Em 2024, quatro em cada dez crianças brasileiras viviam em situação de pobreza. No total, 15,4 milhões de crianças com até 12 anos tinham renda domiciliar per capita de até meio salário-mínimo, o equivalente a R$ 706 por mês ou R$ 23,50 por dia. Os dados foram compilados pelo Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, publicação da Fundação Abrinq. 

Pobreza cenário

O que é pobreza infantil? 

Pobreza infantil é a condição em que crianças vivem em domicílios com renda insuficiente para garantir acesso a necessidades básicas como alimentação adequada, moradia, Saúde e Educação. No Brasil, o critério utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera em situação de pobreza as famílias com renda domiciliar mensal per capita de até meio salário mínimo. A pobreza extrema corresponde a renda de até um quarto do salário mínimo. 

Quantas crianças vivem na pobreza no Brasil? 

Segundo a publicação, em 2024 – dado mais recente: 

  • 40,8% das crianças com até 12 anos viviam em situação de pobreza, o equivalente a 15,4 milhões de crianças; 
  • 40,9% das crianças com até 6 anos viviam em situação de pobreza, o equivalente a 8,2 milhões de crianças; 
  • 14,7% das crianças com até 12 anos viviam em pobreza extrema, o equivalente a 5,5 milhões de crianças; 
  • 14,4% das crianças com até 6 anos viviam em pobreza extrema, o equivalente a 2,9 milhões de crianças. 
  • Para a população brasileira em geral, a taxa de pobreza em 2024 foi de 24,5%, ou seja, 53,1 milhões de pessoas. 

Como a pobreza infantil se distribui pelas regiões do Brasil 

A concentração de crianças em situação de pobreza varia consideravelmente entre as regiões. Entre crianças com até 6 anos em situação de pobreza, a distribuição em números absolutos em 2024 foi: 

  • Região Nordeste: 3,4 milhões de crianças; 
  • Região Sudeste: 2,3 milhões de crianças; 
  • Região Norte: 1,2 milhão de crianças; 
  • Região Sul: 617 mil crianças; 
  • Região Centro-Oeste: 527 mil crianças. 

Em termos proporcionais, as regiões Norte e Nordeste concentram as maiores taxas de pobreza infantil. No Norte, 57,7% das crianças com até 6 anos viviam em situação de pobreza em 2024. No Nordeste, esse percentual chegou a 61,6%. 

Pobreza infantil e desigualdade racial 

Os dados da publicação mostram uma desigualdade expressiva entre crianças brancas e pretas ou pardas. Entre crianças com até 12 anos com renda domiciliar per capita de até um quarto do salário-mínimo, havia em 2024 cerca de 1,5 milhão de crianças brancas e 4 milhões de crianças pretas ou pardas.  

A concentração se inverte nas faixas de renda mais alta: entre crianças em domicílios com renda per capita acima de cinco salários-mínimos, 78,5% eram brancas e 19,3% eram pretas ou pardas. 

Pobreza crianças cta

Quais são os efeitos da pobreza no desenvolvimento infantil? 

A pobreza na infância afeta múltiplas dimensões do desenvolvimento. Crianças que crescem em situação de vulnerabilidade econômica podem ter menor acesso à alimentação adequada, ao saneamento básico, à saúde preventiva e à educação de qualidade. Os efeitos aparecem desde os primeiros anos de vida e podem se estender pela adolescência e vida adulta. 

O próprio Cenário da Infância e da Adolescência 2026 aponta conexões entre pobreza e outros indicadores críticos: a desnutrição atingia 3,6% das crianças de até 5 anos em 2024, e o déficit de altura, sinal de desnutrição crônica, afetava 11,7% das crianças dessa faixa etária. Além disso, 34,2 milhões de pessoas no Brasil não tinham acesso à rede de distribuição de água em 2023, e 81,8 milhões estavam sem acesso à coleta de esgoto, condições que afetam diretamente a saúde das crianças. 

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