Em 2026, o Projeto Mudando a História, da Fundação Abrinq, já contabiliza mais de 1.500 leituras realizadas para crianças e adolescentes nas instituições participantes. Os Encontros Culturais e de Mediação de Leitura ampliam o acesso dos adolescentes mediadores a livros, bibliotecas e espaços culturais, reunindo formação, leitura e troca de experiências.
Realizados a cada dois meses, os encontros reúnem os grupos das instituições participantes para retomar conteúdos de mediação de leitura, compartilhar experiências e conhecer novos espaços. Até o momento, foram realizados encontros em março, maio e julho, com atividades previstas também para setembro e novembro.
Livros escolhidos pelos próprios adolescentes
Uma das ações desenvolvidas neste ano ocorreu na Biblioteca Municipal Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, na região da Consolação, em São Paulo. Em parceria com a biblioteca, 139 adolescentes mediadores receberam carteirinhas do sistema municipal, que permitem o empréstimo gratuito de livros.
A partir dessa iniciativa, os participantes puderam circular pela biblioteca, conhecer o acervo, realizar leituras e escolher obras de acordo com seus interesses. Nos dois primeiros encontros, foram emprestados 202 livros, ampliando as possibilidades de leitura para além das atividades realizadas nas instituições.
A visita também apresentou aos adolescentes outras formas de ocupar uma biblioteca pública, para parte dos participantes, aquele foi o primeiro contato com uma biblioteca ou a descoberta de que poderiam frequentar o espaço e retirar livros gratuitamente. A presença da Gibiteca, por exemplo, permitiu que encontrassem títulos e gêneros que não imaginavam estar disponíveis, aproximando a biblioteca de seus interesses.

O contato com diferentes ambientes e possibilidades de uso do espaço também contribuiu para mudar a percepção da biblioteca como um local restrito a determinados tipos de leitura ou marcado apenas pelo silêncio. A experiência aproximou os adolescentes do direito de acessar e ocupar espaços públicos de cultura.
O interesse despertado pelos empréstimos também chegou às instituições participantes, alguns mediadores passaram a criar sistemas próprios de empréstimo a partir dos acervos disponíveis nas unidades, fazendo com que os livros circulassem entre crianças e adolescentes e chegassem também às famílias. Para apoiar a continuidade dessa iniciativa, a Fundação Abrinq realizou ainda um mapeamento dos espaços municipais de leitura próximos às instituições participantes.
A aproximação com espaços culturais integra a proposta dos encontros, considerando que, no início do Projeto, 73% dos adolescentes participantes afirmaram que frequentavam esses locais “nunca” ou “às vezes”, com uma ou duas visitas por ano. A programação de 2026 inclui visitas que fazem parte da formação dos adolescentes e educadores e apresentam espaços que muitos ainda não haviam conhecido.
Em maio, o grupo visitou o Centro Cultural Maria Antônia e conheceu a exposição “Suporte Indomável”, realizada em parceria com a Ação Educativa. A mostra reúne artistas que exploram o grafite como expressão artística e promove o contato com diferentes formas de produção e representação da arte urbana brasileira. O grupo também visitou o Museu da Língua Portuguesa, como parte da programação cultural do terceiro encontro.
As visitas são relacionadas ao trabalho de mediação de leitura e à formação dos participantes, que têm contato com diferentes manifestações culturais e com espaços que podem ampliar seu repertório e suas possibilidades de acesso à cultura.
Formação para a mediação de leitura
Além das visitas, os encontros promovem atividades de formação e troca entre adolescentes e educadores. No terceiro encontro do ano, realizado entre julho e agosto, os adolescentes participaram de uma prática de mediação de leitura no Parque da Luz, conduzindo as diferentes etapas de uma sessão, desde a escolha dos livros e a organização do espaço até as brincadeiras, a leitura em voz alta e a mediação entre os participantes.
Os educadores participaram de uma sessão pedagógica voltada à retomada dos conteúdos e à troca de experiências sobre as atividades realizadas nas instituições. A formação aborda temas relacionados à cultura literária, ao papel do mediador, à escolha de livros de literatura, à organização da atividade e do espaço, à relação entre crianças, mediadores e livros e ao protagonismo na literatura.
Para Cássia Longo, líder de Educação da Fundação Abrinq, a mediação aproxima as crianças da literatura e amplia suas possibilidades de leitura e compreensão do mundo.
“Mediação de leitura é uma ponte entre as crianças e o universo dos livros. É por meio dela que despertamos a curiosidade, ampliamos o repertório literário e o acesso à cultura, além de contribuirmos para a formação de leitores autônomos, críticos e capazes de compreender o mundo e atribuir novos sentidos a ele.”
O Projeto também passou a contar, neste ano, com uma apostila pedagógica destinada aos adolescentes e educadores em formação. O material reúne conteúdos utilizados nas atividades de mediação e foi desenvolvido a partir de uma versão utilizada no piloto realizado no ano anterior, passando por revisão, ampliação dos conteúdos, diagramação e impressão. As atividades contam com parcerias que viabilizam a realização dos encontros e das visitas, entre elas a Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Fatec São Paulo e a Biblioteca Municipal Infanto-Juvenil Monteiro Lobato.
Mais acesso à leitura e à cultura
Até o momento, os três primeiros encontros de 2026 reuniram atividades de formação, práticas de mediação, empréstimos de livros e visitas culturais. Na Biblioteca Municipal Infanto-Juvenil Monteiro Lobato, 139 adolescentes passaram a contar com carteirinhas da rede municipal e 202 livros foram emprestados. As atividades de formação, por sua vez, preparam os participantes para desenvolver práticas de leitura nas instituições.
Até novembro, ainda estão previstos dois encontros, dando continuidade às atividades de formação, mediação de leitura e experiências culturais que integram o Projeto Mudando a História. Com mais de 1.500 leituras realizadas até o momento, a iniciativa amplia as oportunidades de contato de crianças e adolescentes com a literatura e contribui para que os livros circulem entre diferentes públicos, dentro e fora das instituições participantes, aproximando a leitura do cotidiano de crianças, adolescentes e suas famílias.