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Saúde mental dos adolescentes: o que os dados do IBGE mostram sobre um direito previsto em lei

15/07/2026
Saúde mental dos adolescentes: o que os dados do IBGE mostram sobre um direito previsto em lei

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em março de 2026 mostrou que, entre 118.099 adolescentes ouvidos em 4.167 escolas públicas e privadas do país, 18,5% afirmaram pensar, sempre ou na maioria das vezes, que a vida não vale a pena ser vivida. Outros 42,9% disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa. Quase três em cada dez relataram tristeza frequente.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), coletados em 2024 e representativos do universo de estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos. No Brasil, a saúde mental de crianças e adolescentes não aparece como um tema à parte na legislação. Ela está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como parte do conjunto de condições que garantem a essa população um desenvolvimento pleno.

O que diz o ECA sobre saúde mental?

O artigo 3º do ECA garante a crianças e adolescentes todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, entre eles as condições de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social em liberdade e dignidade. Já o artigo 4º vai além e atribui essa responsabilidade a quatro setores ao mesmo tempo: família, comunidade, sociedade em geral e poder público, todos com o dever de assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação desses direitos.

Essa redação está na lei desde 1990, e teve novas perspectivas nas décadas seguintes. Como exemplo, a Política Nacional de Atenção Psicossocial, criou a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), hoje um dos principais caminhos institucionais para o atendimento de crianças e adolescentes em sofrimento psíquico dentro do SUS.

Os números por trás do alerta

Além dos percentuais sobre pensar que a vida não vale a pena e sentir irritação frequente, a PeNSE 2024 mapeou outras dimensões desse cenário. Cerca de 26,1% dos adolescentes disseram sentir que ninguém se preocupa com eles, mais de um terço relatou que os pais não entendem seus problemas e um em cada cinco declarou ter sofrido agressão física por parte de um responsável no ano anterior à pesquisa.

Há também uma diferença expressiva entre meninos e meninas. Entre as meninas, 25% relataram achar que a vida não vale a pena, o dobro dos 12% registrados entre os meninos. A tristeza frequente segue o mesmo padrão, atingindo 41% das meninas e 16,7% dos meninos.

Onde esse direito encontra a rede de atendimento

A Rede de Atenção Psicossocial reúne Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192). Para o público infantojuvenil, existem os Caps i, previstos para municípios com mais de 70 mil habitantes. Dentro das escolas, o Programa Saúde na Escola, instituído pelo Decreto nº 6.286/2007, integra equipes da atenção básica do SUS às unidades de ensino para ações de promoção de saúde, incluindo saúde mental.

A pesquisa também mostra que 34,1% dos adolescentes brasileiros têm acesso a profissionais de saúde mental na escola, sendo 58,2% na rede privada e 45,8% na rede pública. 

Fora da escola, o Centro de Valorização da Vida (CVV) mantém apoio emocional gratuito pelo telefone 188, além de atendimento por chat, disponível 24 horas por dia, todos os dias.

Como a Fundação Abrinq atua para garantir o cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes?

Por meio do Programa Adotei um Sorriso, a Fundação Abrinq viabiliza atendimento psicológico gratuito para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecido por psicólogos voluntários às organizações da sociedade civil parceiras do programa.

Já o ciclo 2026-2027 do Programa Nossas Crianças, que acontece em parceria com a Fundação Rainer Blickle, selecionou 26 novas organizações da sociedade civil distribuídas em cinco eixos prioritários: combate à violência doméstica e sexual, combate ao trabalho infantil, educação complementar, promoção à saúde mental e garantia do direito ao brincar. No eixo de promoção à saúde mental, integram o ciclo quatro organizações: a Fundação Fé e Alegria do Brasil, em Boa Vista - RR, o Educandário Deus e a Natureza, em Indaiatuba - SP, a Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial de Novo Hamburgo, em Novo Hamburgo - RS, e o Instituto Conforme, em Joinville - SC. Essas organizações recebem aporte financeiro e assessoramento técnico da Fundação Abrinq ao longo do convênio, com acompanhamento por meio de visitas técnicas presenciais e online e participação nos encontros formativos mensais da Rede Nossas Crianças.
 

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