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Fundação Abrinq realiza 26º Encontro Anual da Rede Nossas Crianças

Lun, 24/08/2026 - 15:58
Fundação Abrinq realiza 26º Encontro Anual da Rede Nossas Crianças

No dia 21 de agosto, a Fundação Abrinq reuniu organizações da sociedade civil que fazem ou já fizeram parte do Programa Nossas Crianças para o 26º Encontro Anual da Rede Nossas Crianças, realizado na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, em São Paulo - SP. O evento contou com um talkshow sobre infância e mundo digital, uma palestra, cinco workshops simultâneos e uma apresentação artística de crianças e adolescentes atendidos por uma das organizações da rede. E mesmo antes do início, os participantes já demonstravam empolgação:

“Hoje estou com grandes expectativas. Entendo que os temas são todos muito relevantes e importantes para nossa atuação. Tenho certeza de que será um dia memorável, de grandes aprendizados e com a possibilidade de conhecer novas pessoas. Minha expectativa é muito grande”, relatou Patricia Naitzki, representante do Centro Social e Esportivo Claretiano Terra Nova.

Já para Adriano Malikoski, representante da Associação Mão Amiga, “vai ser bom acompanhar situações que envolvem aprendizagem, conhecimentos e trocas. Tudo que a gente puder agregar no nosso dia a dia é importante para qualificar nossas práticas e projetos, para atender da melhor forma possível na nossa associação”.

A abertura foi conduzida por Juliana Mamona, gerente executiva da Fundação Abrinq, que agradeceu à Fundação Rainer Blickle, aos palestrantes e facilitadores do dia, à equipe da Fundação Abrinq e aos representantes das organizações conveniadas presentes. Em seguida, Michelly Antunes, líder do Programa Nossas Crianças, apresentou a programação da manhã ao público.

Infância na era do algoritmo

Talkshow

O primeiro momento do encontro foi o talkshow A Infância na Era do Algoritmo: Desafios, Proteção e Oportunidades Digitais, mediado pelo sociólogo e gestor social Marcos Nascimento. Participaram da conversa Luisa Adib, coordenadora da pesquisa TIC Kids Online Brasil, Evelise Fortim, psicóloga e docente da PUC-SP com atuação em jogos digitais e cultura pop, e Dayse Bernardi, mestre em Psicologia Social pela PUC-SP e psicóloga judiciária aposentada do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

A conversa partiu de uma pergunta que atravessou toda a discussão: que infância está sendo produzida pelo mundo digital? Segundo dados do TIC Kids Online Brasil 2024, citados durante o talkshow, 83% dos jovens entre 9 e 17 anos têm perfil em pelo menos uma rede social, e 60% das crianças de 9 e 10 anos já estão ativas nesses espaços.

Marcos Nascimento chamou atenção para os limites de pensar a questão apenas em termos de acesso. "Não é só com o acesso que precisamos nos preocupar. É preciso pensar no uso e principalmente na experiência que crianças e adolescentes têm na internet", afirmou. Luisa Adib comentou a mudança de perspectiva que orienta esse debate hoje: "Nós temos caminhado em um sentido de proteger as crianças na internet, e não da internet".

Evelise Fortim trouxe a busca por autonomia infantil como chave para entender a migração das crianças para os espaços digitais. "As crianças querem espaços onde não tenham adultos. Elas querem alguns espaços só delas. E eu acho que isso vai migrar para o digital, jogos e redes sociais", disse. Ela também observou a escassez de espaços de brincadeira nas cidades brasileiras, algo que considera relevante para a socialização infantil.

Dayse Bernardi lembrou que os ambientes digitais não são espaços neutros. "Os espaços digitais não são neutros e são desenhados por empresas com interesses comerciais de manter o usuário com mais tempo de tela", disse, defendendo a participação de crianças e adolescentes na construção das próprias estratégias de proteção no ambiente digital.

Ao longo da conversa, os convidados também destacaram que o digital pode ser espaço de aprendizado, criação, conexão e pertencimento, e que o desafio das famílias, escolas e organizações está em equilibrar proteção e vivência da infância.

Infancia era

Trabalho em rede como método

Na sequência, a advogada, professora e educadora em empreendedorismo Tatyana Gurgel apresentou uma palestra sobre o trabalho em rede das organizações do terceiro setor. Sob o lema "Aprender juntos para transformar o coletivo", ela discutiu o conceito de cultura de rede como um modelo de convivência baseado em colaboração horizontal, descentralização e conectividade entre pessoas, no qual o conhecimento não pertence a uma liderança única, mas é construído e compartilhado por todo o grupo.

"O trabalho em rede é fundamental para que o terceiro setor possa fazer seu trabalho", disse Tatyana. Ao final da palestra, ela recitou um cordel autoral sobre o tema, recebido com aplausos pelo público presente.

Tatyana

De acordo com Cláudio Monteiro, representante do Instituto PEB, “eu achei a parte da manhã muito enriquecedora. Senti um total senso de pertencimento com as falas de pessoas que realmente têm conhecimento do que a gente vivencia no dia a dia. Acho que falar de enriquecimento do conhecimento resume o que vivemos agora pela manhã. E acredito que a parte da tarde reserva uma expectativa de algo novo diante do que já vivenciamos”.

Já para Fernando Dourado, que atua nas relações institucionais da Fundação Rainer Blickle, parceira da Fundação Abrinq, “para nós é um orgulho imenso poder participar, pelo terceiro ano consecutivo, como financiador do Programa Nossas Crianças. Não só como financiador, mas como parceiro ativo do programa, onde a Fundação Abrinq trouxe hoje todas as organizações para um momento de aprendizagem e troca, algo muito importante para o movimento em prol de crianças e adolescentes e para a defesa de garantia de direitos em todo o território nacional”.

Cinco workshops no período da tarde

Após o almoço, os participantes se dividiram em cinco workshops simultâneos:

Adolescências e Infâncias Digitais: como garantir a proteção online de crianças e adolescentes, com Telma Gutierres de Souza (NECA), sobre o uso excessivo de telas, os desafios de aplicação do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e o papel das famílias na mediação do uso de plataformas.

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Leis e Caminhos: guia prático de orientações jurídicas para fortalecer as organizações, com Tatyana Gurgel, sobre os principais desafios jurídicos do dia a dia das organizações e a legislação que sustenta o terceiro setor.

Território em Foco: conhecer para transformar, com representantes da UNAS (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região), que apresentaram a metodologia do mapa afetivo para diagnóstico de potencialidades e vulnerabilidades locais.

Integração organização e escola: juntas construindo um projeto de Educação Integral, com participação do CENPEC, sobre o papel das organizações como parceiras estratégicas de políticas de educação integral.

A Arte que Transforma: descobrindo linguagens e criando histórias, com representantes da Associação de Apoio ao Projeto Quixote, dedicado à arte como ferramenta de inclusão e transformação social, com uma atividade prática de criação de bonecos e brinquedos com papelão, isopor e barbante.

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De acordo com Isis Souza, representante da Associação Cristã de Moços de São Paulo, na unidade Centro, “nossa oficina foi muito proveitosa. Nós discutimos as nuances da escola em período integral e da integralidade da criança, além das questões que envolvem violações de direitos. É importante entender como nós, enquanto organização e educadores, nos encontramos nesse meio, trazendo educação, debatendo cuidado e ética profissional.

Já para Natália Pantoja, representante da Sociedade Comunitária São João Batista, “a capacitação que eu participei veio mesmo para transformar o meu território. Lá ainda há uma situação com um ensino muito conservador que molda a criança do jeito que o adulto quer. E quando você se depara com essa proposta de criar e fazer diferente, de deixar a criança fazer, isso reforça que a criança é a prioridade. Eu aprendi muito”.

Encerramento com ginástica rítmica

O encontro se encerrou com uma apresentação de ginástica rítmica de crianças e adolescentes atendidos pela Liga Solidária, organização integrante da Rede Nossas Crianças. Confira os nomes dos representantes:

Apresentação individual: Pietro Nascimento;

Sexteto: Ashley Santos, Isabela Gomes, Isabella Marie Sales, Jhulya Victória Neres, Luiza da Silveira e Valentina Seixas;

Trio: Maria Gabriella Santos, Sophia Ferreira e Thalia Maia.

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