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Amamentação traz benefícios para a saúde física e emocional da mãe

20/08/2026
Amamentação traz benefícios para a saúde física e emocional da mãe

Quando o assunto é aleitamento materno, a atenção costuma se concentrar nos ganhos para o bebê, como a proteção contra infecções e o desenvolvimento nutricional nos primeiros meses de vida. Menos divulgados, porém, são os efeitos da prática sobre o corpo e a saúde emocional da mulher que amamenta. Compreender esses efeitos ajuda profissionais de saúde a orientar melhor as famílias, apoia decisões de empresas sobre licença e sala de amamentação, e informa quem financia projetos de saúde materno-infantil sobre o alcance real dessas iniciativas.

A amamentação reduz o risco de câncer de mama e de ovário, contribui para a proteção contra diabetes tipo 2 e auxilia na prevenção da depressão pós-parto. As informações são do Ministério da Saúde, que também destaca os benefícios do aleitamento materno para a saúde e o desenvolvimento da criança. Por isso, garantir condições para que a mulher possa amamentar desde o início da vida do bebê é uma medida que contribui para a saúde de mães e crianças.

Durante a amamentação, o corpo da mulher libera ocitocina, hormônio responsável pela contração do útero e pelo retorno mais rápido ao tamanho anterior à gravidez. A mesma substância reduz a ansiedade materna e favorece a criação de vínculo entre mãe e bebê nas primeiras semanas de vida. O processo também ajuda no controle do peso após o parto, já que o organismo utiliza reservas de gordura acumuladas na gestação para produzir o leite.

No Brasil, 57,5% dos bebês menores de seis meses receberam aleitamento materno exclusivo em 2025, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, compilados pela Fundação Abrinq. O índice foi o maior registrado na última década, mas as diferenças entre as regiões ainda permanecem. O Norte apresentou o maior percentual, com 66%, seguido pelo Centro-Oeste, com 61%. Sudeste e Sul registraram 57%, enquanto o Nordeste apresentou o menor índice, com 54%.

"Amamentar é um direito da criança e um processo que precisa ser respeitado e incentivado. Quanto maior o acesso à informação de qualidade, maior a chance de que a amamentação aconteça da maneira correta e seja mantida pelo tempo recomendado", afirma Cintia Cunha, líder das iniciativas de Saúde da Fundação Abrinq.

Cuidar de quem amamenta também é cuidar da amamentação

A ampliação do acesso à amamentação depende de fatores que vão da orientação profissional durante o pré-natal ao apoio de familiares e empregadores nos primeiros meses após o parto. Mulheres que recebem informação clara sobre a pega correta, a frequência das mamadas e o manejo de dificuldades como fissuras e baixa produção de leite têm mais chances de manter o aleitamento exclusivo pelo tempo recomendado.

Outra frente relacionada à amamentação é a doação de leite humano, que contribui para a recuperação de bebês prematuros ou de baixo peso internados em unidades neonatais e que não podem ser amamentados pelas próprias mães. Em 2024, 193,2 mil mulheres doaram leite humano no país, beneficiando 219,3 mil bebês e resultando na coleta de 245,7 mil litros, segundo dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2025. Toda mulher que amamenta pode ser uma possível doadora, desde que seja saudável e não utilize medicamentos que interfiram na amamentação. Para doar, é preciso procurar o Banco de Leite Humano mais próximo para receber as orientações necessárias.

Uma mãe saudável durante a amamentação também favorece a saúde do bebê. O leite materno oferece anticorpos que protegem a criança contra infecções, auxilia no amadurecimento do sistema digestivo e reduz o risco de doenças crônicas ao longo da vida. Crianças amamentadas exclusivamente até os seis meses têm risco de morte por doenças infecciosas seis vezes menor do que crianças não amamentadas, de acordo com dados reunidos pela campanha Cada Gota Importa. O cuidado com a saúde da mãe, portanto, caminha junto com o crescimento saudável do bebê.

Cada Gota Importa, e cada apoio também

Desde 2023, a Fundação Abrinq desenvolve a campanha Cada Gota Importa para ampliar o acesso a informações sobre aleitamento materno, os direitos de quem amamenta e a importância da rede de apoio. Em 2026, a iniciativa traz o conceito “Cada Gota Importa. E cada apoio também.” e reforça que a amamentação não é uma responsabilidade individual: famílias, profissionais de saúde, empresas e toda a sociedade podem contribuir para que quem amamenta tenha informação, acolhimento e condições para manter o aleitamento.

A iniciativa se relaciona com o Programa 1000 Dias da Fundação Abrinq, que atua nos primeiros mil dias de vida da criança, período que compreende a gestação e os dois primeiros anos de vida. O programa desenvolve ações voltadas aos cuidados com gestantes, puérperas e crianças, incluindo orientações sobre saúde e aleitamento materno.

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