O trabalho infantil continua sendo uma realidade para diversas crianças e adolescentes no Brasil. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1.649.843 meninas e meninos, de 5 a 17 anos, estão em situação de trabalho infantil no país, exercendo atividades que podem comprometer a educação, a saúde, a segurança e o desenvolvimento integral.
Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas e da melhora recente dos indicadores econômicos, os números mostram que o problema permanece presente em todas as regiões do Brasil e afeta milhares de famílias.
O que é considerado trabalho infantil?
Trabalho infantil é toda atividade econômica ou de sobrevivência realizada por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação brasileira.
No Brasil, o trabalho é proibido para menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. Além disso, atividades perigosas, insalubres, noturnas ou que prejudiquem o desenvolvimento físico, psicológico, moral ou social são proibidas para pessoas com menos de 18 anos.
Por isso, nem todo trabalho realizado por adolescentes é permitido. Dependendo da atividade exercida e das condições em que ela ocorre, a situação pode ser caracterizada como trabalho infantil.
Quantas crianças e adolescentes estão em situação de trabalho infantil no Brasil?
A distribuição regional mostra que o problema está presente em todo o território nacional:
Nordeste: 547.083
Sudeste: 475.003
Norte: 248.364
Sul: 226.048
Centro-Oeste: 153.345
Os dados demonstram que o trabalho infantil não é uma realidade restrita a uma única região e continua representando um desafio nacional para a garantia dos direitos da infância e da adolescência.

A melhora do mercado de trabalho não eliminou o problema
Mesmo com a taxa de desocupação no menor nível dos últimos 14 anos, o trabalho infantil continua afetando grande parte dos adolescentes que trabalham no país.
No primeiro trimestre de 2026, 77,2% dos adolescentes de 14 a 17 anos que estavam ocupados encontravam-se em situação de trabalho infantil.
O dado mostra que a recuperação do mercado de trabalho não garante, por si só, a proteção dos adolescentes e evidencia a necessidade de políticas públicas específicas para prevenir a exploração do trabalho precoce.
Lista TIP: quais são as atividades com maior ocupação de adolescentes?
Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, diversas ocupações presentes na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP) concentram milhares de casos.
As atividades com maior número de adolescentes são:
Cuidadores de crianças: 54.284
Trabalho agrícola: 51.798
Agricultura especializada: 39.375
Mecânica de veículos: 39.272
Pecuária: 30.508
A Lista TIP reúne atividades consideradas prejudiciais ao desenvolvimento de crianças e adolescentes por envolverem riscos físicos, psicológicos ou sociais.
Jovem Aprendiz é trabalho infantil?
Não.
A aprendizagem profissional é uma modalidade de trabalho protegida pela legislação brasileira e representa uma exceção à idade mínima para o trabalho.
Por meio do programa de aprendizagem, adolescentes a partir dos 14 anos podem ingressar formalmente no mundo do trabalho, desde que tenham seus direitos garantidos, frequentem a escola e participem de atividades de formação profissional.
Diferentemente do trabalho infantil, a aprendizagem busca promover qualificação, proteção e desenvolvimento, respeitando a condição peculiar de desenvolvimento dos adolescentes.
Por que o trabalho infantil é prejudicial?
O trabalho precoce pode gerar impactos que acompanham crianças e adolescentes por toda a vida.
Entre as principais consequências estão:
• dificuldades de aprendizagem;
• evasão escolar;
• acidentes de trabalho;
• problemas de saúde;
• redução das oportunidades profissionais futuras;
• perpetuação dos ciclos de pobreza.
Por isso, o combate ao trabalho infantil é considerado uma medida importante para garantir direitos e ampliar oportunidades para crianças e adolescentes.
Como combater o trabalho infantil?
O enfrentamento do trabalho infantil depende da atuação conjunta do poder público, das empresas, das famílias e da sociedade civil.
Pensando nisso, a Fundação Abrinq mantém a campanha Não Ao Trabalho Infantil, com o objetivo de sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre o tema, com informações e materiais para compartilhamento. Clique aqui para acessar o site da campanha.
Além da fiscalização e da implementação de políticas públicas, é fundamental ampliar o acesso à educação, fortalecer programas de proteção social e promover oportunidades seguras de formação profissional para adolescentes, como a aprendizagem.
A sociedade também desempenha papel importante ao denunciar situações de exploração e contribuir para a construção de uma cultura que reconheça a infância como um período de desenvolvimento, proteção e oportunidades.
Como denunciar o trabalho infantil?
Identificar uma situação de trabalho infantil e não saber o que fazer é mais comum do que parece. No entanto, denunciar é um passo importante para garantir a proteção de crianças e adolescentes e interromper situações de violação de direitos.
Não é necessário ter provas ou certeza para procurar os órgãos responsáveis. A suspeita já é suficiente para que o caso seja analisado pelas autoridades competentes.
Os principais canais de denúncia são:
Disque 100
Serviço nacional, gratuito e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. As denúncias podem ser feitas de forma anônima.
Conselho Tutelar
O órgão pode ser acionado diretamente no município onde a criança ou adolescente vive e é responsável por adotar medidas de proteção.
Ministério Público do Trabalho (MPT)
Recebe denúncias relacionadas à exploração do trabalho infantil e atua na responsabilização dos envolvidos.
Sistema Ipê Trabalho Infantil
Plataforma on-line que reúne canais de denúncia e informações sobre o enfrentamento do trabalho infantil em todo o país.