Notícias

Das formações às crianças: os passos da campanha Pode Ser Abuso contra a violência sexual

24/07/2026
Das formações às crianças: os passos da campanha Pode Ser Abuso contra a violência sexual

Uma criança que muda de comportamento sem explicação aparente. Um adolescente que passa a evitar um adulto com quem antes tinha proximidade. Um desenho, uma frase solta, um silêncio que dura mais do que deveria. São sinais assim, muitas vezes discretos, que profissionais da educação e da rede de proteção precisam aprender a reconhecer para agir a tempo diante de uma possível violência sexual contra crianças e adolescentes. É esse o eixo central das ações da Campanha Pode Ser Abuso, da Fundação Abrinq, que realizou formações para profissionais de Goiânia - GO e Recife - PE.

Nenhum desses sinais, isoladamente, comprova um caso de abuso. A mudança de comportamento pode ter várias origens, e é justamente por isso que a Fundação Abrinq dedicou boa parte das formações a ensinar o que fazer diante da dúvida: como conduzir uma conversa sem induzir respostas, como acolher um relato sem expor a criança a novos constrangimentos, e para quem encaminhar a situação depois que ela é identificada. Essa combinação de escuta cuidadosa e encaminhamento correto tem nome técnico: escuta qualificada, e é um dos pontos mais sensíveis do trabalho com crianças e adolescentes: um adulto despreparado pode, sem intenção, fazer a criança reviver o trauma ou duvidar de que será acreditada.

Professores e coordenadores pedagógicos ocupam um lugar particular nesse processo. Passam parte considerável do dia com os alunos, acompanham suas rotinas e, com frequência, são os primeiros adultos a perceber quando algo mudou. Por isso a escola aparece como um espaço estratégico de identificação precoce, embora a proteção de crianças e adolescentes não seja tarefa só dela. A rede de proteção de cada município, formada pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Conselho Tutelar e demais serviços de assistência social e saúde, entra em cena para dar continuidade ao caso depois da primeira suspeita, com o cuidado técnico que a situação exige. E famílias e comunidades também têm parte nessa responsabilidade coletiva, seja no acompanhamento diário das crianças, seja na disposição de notificar suspeitas aos canais adequados, como o Disque 100 ou o Conselho Tutelar local.

Foi para fortalecer essa rede de atores que as formações reuniram, em Goiânia, 200 profissionais de 125 escolas, e, em Recife, 81 profissionais de 31 escolas, entre coordenadores pedagógicos, professores e equipes de proteção. Ao longo de três módulos, os participantes discutiram os diferentes tipos de violência doméstica e sexual, a legislação de proteção a crianças e adolescentes, o funcionamento da rede de atendimento e o desenvolvimento de planos de ação para aplicar o conteúdo em suas escolas. A Fundação Abrinq também promoveu plantões de dúvidas com os participantes.

"Participar da formação foi uma oportunidade de aprimorar meu olhar para identificar situações de vulnerabilidade que possam afetar os estudantes e de fortalecer minha prática pedagógica diante de um tema tão sensível e necessário. Com minha turma, desenvolvi uma ação baseada no diálogo, na escuta e em atividades lúdicas, que ajudaram as crianças a compreender que seus corpos merecem respeito, que existem situações de risco e que pedir ajuda também é uma forma de proteção. O envolvimento dos estudantes mostrou o quanto a escola precisa abrir espaços seguros para abordar esse tema de maneira responsável e acolhedora. Meu próximo passo é ampliar essa iniciativa para toda a comunidade escolar, envolvendo outros professores, estudantes e famílias, para que a prevenção e a proteção de crianças e adolescentes façam parte da cultura da escola, e não apenas de uma ação pontual", relata Edelfrancla Gomes dos Reis, da Escola Municipal Novo Pina, em Recife - PE. 

Esse conteúdo já começou a chegar às salas de aula. Com base nos planos de ação elaborados nas formações, as equipes aplicam atividades de teatro, artes, literatura e audiovisual pensadas para ajudar crianças e adolescentes a reconhecer situações de risco e a valorizar seus próprios direitos, incluindo o direito de dizer não e de pedir ajuda. Até o dia 22 de julho, as atividades já tinham beneficiado 2.394 crianças e adolescentes, além de 300 profissionais e 717 familiares que também participaram dos encontros, um indício de que o efeito da formação já ultrapassa os profissionais diretamente capacitados e chega às famílias.

Confira abaixo algumas das atividades de conscientização que já foram desenvolvidas:

Açãoação 2ação 3ação 4

As formações para a terceira turma serão iniciadas em agosto e reunirão profissionais de 11 municípios distribuídos pelas cinco regiões do país: Abaetetuba, no Pará, Chapecó, em Santa Catarina, Cascavel, no Paraná, Poços de Caldas, em Minas Gerais, Embu das Artes, Barueri e Santos, em São Paulo, Teresina, no Piauí, Petrolina, em Pernambuco, Maracanaú, no Ceará, e Barreiras, na Bahia. A diversidade de portes e realidades entre esses municípios é parte da proposta: ao formar, na mesma turma, profissionais de contextos tão diferentes, a campanha aposta na troca de experiências como forma de qualificar ainda mais o trabalho de proteção em cada território.

Para a Fundação Abrinq, formar quem convive diariamente com crianças e adolescentes é uma das formas mais diretas de ampliar a capacidade de identificação precoce da violência sexual, sem substituir o papel de nenhuma outra instância da rede de proteção, mas somando forças a ela.

Acompanhe o site e as redes sociais da Fundação Abrinq para mais informações sobre as ações da Campanha Pode Ser Abuso.

Acompanhe a Fundação Abrinq nas redes sociais

WhatsApp