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Dia do Professor: valorizar quem ensina também é garantir os direitos de crianças e adolescentes

15/10/2026
Professora em sala de aula

Quando uma criança aprende a ler, resolve um problema de matemática, faz um amigo na turma ou descobre que pode ir mais longe do que imaginava, o mérito costuma ser atribuído ao próprio esforço ou ao apoio da família, mas por trás de cada uma dessas conquistas existe um professor que planejou a aula, adaptou a atividade para quem tinha mais dificuldade, percebeu que um aluno estava calado demais e encontrou o momento de conversar. No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente destaca o trabalho desses profissionais e lembra que reconhecê-los envolve condições de trabalho, oportunidades de formação e apoio das redes de ensino, porque a qualidade do que a escola oferece aos estudantes depende diretamente dessas condições.

A data tem origem na lei de 1827, que criou as escolas de primeiras letras em todo o território nacional, e passou a ser comemorada oficialmente em 1963. Desde então, o trabalho docente ganhou novas atribuições, e hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura o acesso e a permanência dos estudantes na escola e determina que os dirigentes de estabelecimentos de ensino comuniquem ao Conselho Tutelar casos de maus-tratos, faltas injustificadas reiteradas, evasão escolar e níveis elevados de repetência, o que torna professores e equipes pedagógicas parte da rede que protege a infância e a adolescência.

Na prática, esse conjunto de responsabilidades chega a profissionais que, em muitas redes públicas, trabalham com turmas numerosas, acesso limitado a materiais e poucas oportunidades de formação, e que ainda lidam em sala de aula com os efeitos da pobreza, da insegurança alimentar e da violência sobre a frequência e o desempenho dos alunos. Valorizar quem ensina, nesse cenário, significa garantir remuneração adequada e tempo de planejamento, ambos previstos na Lei do Piso Salarial desde 2008, assegurar formação continuada ligada à realidade das escolas, disponibilizar livros e materiais para o trabalho com as turmas e oferecer orientações mais eficazes sobre como agir diante de uma situação de risco, com respaldo da gestão e da rede de proteção.

Para Cássia Moraes Targa Longo, líder da área de Educação da Fundação Abrinq, garantir o direito à educação de qualidade exige valorizar os professores, investir em formação continuada e aprimorar as práticas pedagógicas.

“Acredito que garantir o direito à educação de qualidade passa, necessariamente, pela valorização docente, pelo investimento na formação continuada e pelo fortalecimento das práticas pedagógicas. Nos projetos de educação, reafirmamos esse compromisso reconhecendo os professores como protagonistas na promoção da aprendizagem, da equidade e do desenvolvimento integral. Valorizar o professor é reconhecer que a transformação da educação começa com quem, todos os dias, cria oportunidades e toma decisões para que cada estudante aprenda, se desenvolva e construa seu futuro”, afirma.

Formação e materiais para quem alfabetiza

É a partir dessa compreensão que a Fundação Abrinq desenvolve, desde 2023, o Projeto Alfabetiza, em parceria com secretarias municipais de educação, voltado aos anos iniciais do Ensino Fundamental. A iniciativa reúne professores, gestores e equipes pedagógicas das redes parceiras em encontros de formação, reflexão e troca de experiências sobre o ensino e a aprendizagem da leitura e da escrita, e oferece materiais e ferramentas de apoio ao trabalho desenvolvido nas escolas, de modo que os educadores participem como protagonistas do processo e não apenas como executores de uma metodologia definida por terceiros.

Em 2026, o projeto está presente em 63 escolas públicas, sendo 20 em Diadema-SP, 31 em Guarulhos-SP e 12 em Pedro Leopoldo-MG, município que passou a integrar a iniciativa neste ano, e as ações alcançam mais de 10 mil crianças no ciclo de alfabetização. Em Diadema-SP e Guarulhos-SP foram mantidos os encontros de formação continuada, e em Guarulhos-SP as discussões incluem a leitura como prática social e a formação de leitores, tema que os professores levam para as atividades de sala de aula e para o trabalho com as famílias.

Neste ano, a Fundação também doou mais de 3.600 materiais pedagógicos às escolas participantes, entre eles mais de 1.200 livros de literatura infantil e infantojuvenil, mais de 2.300 gibis e 180 jogos pedagógicos, que passam a integrar os acervos das unidades e ficam à disposição de professores e estudantes durante o ciclo de alfabetização. O acompanhamento do trabalho nas escolas permite apoiar os profissionais no planejamento das ações e ajustar as práticas às necessidades de cada turma.

Uma rede para sustentar o trabalho da escola

A atuação da Fundação Abrinq na educação, que defende acesso e qualidade em todas as etapas da educação básica, inclui também o Programa Prefeitas e Prefeitos Amigos da Criança, criado em 1996 para orientar gestores municipais na elaboração de políticas públicas para a infância e a adolescência, e o Programa Creche para Todas as Crianças, que trabalha pela ampliação do acesso à educação infantil. Em todas essas frentes, a formação de profissionais ocupa lugar central, já que são os educadores que levam para a sala de aula o que está previsto em leis, planos e programas.

A proteção de crianças e adolescentes, por sua vez, não deve recair sobre os professores de forma isolada. Identificar uma situação de risco exige orientação, acolhimento e encaminhamento aos serviços responsáveis, com a participação da gestão escolar, o diálogo com as famílias e a articulação com a rede de proteção, e é a atuação conjunta do poder público, das escolas, das famílias e das organizações da sociedade civil que cria as condições para que meninas e meninos aprendam, convivam e se desenvolvam com segurança.

Neste 15 de outubro, a Fundação Abrinq convida a sociedade a reconhecer o trabalho de quem acompanha crianças e adolescentes todos os dias nas escolas e lembra que as formações para professores e a distribuição de materiais pedagógicos são possíveis graças a empresas e pessoas que acreditam na educação e contribuem para que essas iniciativas cheguem a mais profissionais e escolas. Se quiser fazer parte dessa rede pode se tornar doador da Fundação Abrinq e contribuir para que mais escolas e profissionais recebam apoio.

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